Desabamento do Real Class em Belém completa 15 anos: tragédia provocou mudanças na engenharia paraense

  • 29/01/2026
(Foto: Reprodução)
Desabamento do Real Class em Belém completa 15 anos O desabamento do edifício Real Class, em Belém, completou 15 anos nesta quinta-feira (29). A tragédia deixou três pessoas mortas no dia 29 de janeiro de 2011. O ocorrido provocou mudanças na engenharia paraense. Era início da tarde quando a notícia se espalhou: um prédio em construção desabou na travessa Três de Maio. O Edifício Real Class, com mais de 30 andares e cerca de 100 metros de altura, desmoronou enquanto passava pelos retoques finais antes da entrega. 📲 Siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Relembre o caso Edifício Reall Class desabou em janeiro de 2011. Três pessoas morreram. Oswaldo Forte / Amazônia Jornal O caso se tornou uma das maiores tragédias da história recente da construção civil do Pará. O cenário era de destruição: uma pilha de concreto, poeira e silêncio tomado por sirenes. O Comandante do 1º GBM, tenente-coronel Marco Scienza, que esteve no local, relembrou o momento: “Chegamos e vimos apenas os escombros. Foi um impacto enorme”, recordou. Durante o desabamento, operários ainda trabalhavam no prédio. Dois deles morreram soterrados, José Barro e Manuel Raimundo da Paixão Monteiro, o último a ser encontrado, alguns dias após o desabamento. Prédio vizinho ao Real Class foi atingido pelos escombros. Ary Sousa/ O Liberal Em uma casa vizinha, uma idosa foi atingida pelos escombros e também não resistiu. Ela era Maria de Jesus, conhecida como "Dona Maria". O resgate envolveu mais de cem profissionais, entre Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Cruz Vermelha, policiais e voluntários. “O sentimento é de dor que o tempo não apaga”, disse o autônomo Sandro Abreu, morador da área. “Foi desesperador. Muita gente correndo, chorando, sem entender o que estava acontecendo.” Erros estruturais, consequências judiciais e mudanças Cinco anos depois, a Justiça condenou engenheiro responsável pela queda o Real Class Laudos técnicos apontaram erro de cálculo estrutural como causa do desabamento. Segundo um relatório da Universidade Federal do Pará (UFPA), o edifício não suportou a combinação entre o peso da própria estrutura, a força do vento e falhas no projeto. O engenheiro Raimundo Lobato da Silva, responsável pela obra, foi condenado por homicídio culposo de três vítimas e lesão corporal de uma quarta. A pena foi convertida em prestação de serviços comunitários e multa. Outro engenheiro denunciado, Carlos Santos de Lima, foi absolvido por falta de provas. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Pará (Crea-PA) cancelou o registro dos dois homens. O advogado Roland Massoud, que representou a construtora do Real Class, afirmou que a empresa “lamenta profundamente o ocorrido, mas seguiu colaborando com as investigações e cumpre as decisões judiciais”. O professor de Engenharia Civil da UFPA Maurício Pina afirmou que, após o acidente, pelo menos duas consequências e mudanças importantes ocorreram na legislação brasileira pertinente. "Ficou consolidado o entendimento de que seguir as recomendações das normas brasileiras não é algo opcional, mas uma obrigatoriedade; o descumprimento pode levar a consequências para o profissional. O segundo ponto que eu destacaria é a necessidade e a obrigatoriedade da revisão dos projetos estruturais. Isso foi feito a fim de reduzir as chances de que casos semelhantes se repitam, independentemente do nível de complexidade da construção." Indenizações e memória da tragédia Na Justiça Cível, famílias das vítimas e moradores de prédios afetados receberam indenizações. O advogado Dennis Verbicaro, representante das famílias, afirmou que “a decisão judicial reconheceu o sofrimento e a responsabilidade das empresas envolvidas”. Quinze anos depois, o local do desabamento mudou de aparência. A área foi completamente murada e está com mato alto. Área onde ficava o Real Class foi murada e está com mato alto. Google Street View O cinegrafista Edmilson Monteiro, da TV Liberal, um dos primeiros a registrar as imagens, resume o sentimento de quem esteve no local: “É um filme que volta toda vez que eu passo por ali e vai voltar para sempre.” O desabamento do Real Class segue como um marco doloroso na história de Belém — um acidente que revelou falhas graves na construção civil e reforçou a importância da responsabilidade técnica nas obras. *Sob supervisão de Juliana Bessa. VÍDEOS com as principais notícias do Pará Acesse as principais notícias do estado no g1 Pará.

FONTE: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/01/29/desabamento-do-real-class-em-belem-completa-15-anos-tragedia-provocou-mudancas-na-engenharia-paraense.ghtml


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